A Aneel adiou por 60 dias o julgamento sobre a possível caducidade do contrato da Enel SP. A reunião aconteceu em 07 de outubro de 2026, e a relatora do caso, diretora Agnes da Costa, já se posicionou a favor da extinção do contrato. O motivo: falhas persistentes na prevenção e resolução de problemas de distribuição de energia. Para síndicos e gestores de facilities, essa notícia não é só política. É um sinal claro de que depender apenas da concessionária para manter a qualidade do fornecimento elétrico é uma aposta arriscada. Manutenção preventiva elétrica deixou de ser diferencial. Virou necessidade de gestão.

O que o caso Enel SP revela sobre manutenção preventiva elétrica

A discussão na Aneel gira em torno de falhas que não são novas. São recorrentes. E recorrência em problemas elétricos tem um nome técnico: ausência de prevenção sistemática.

A diretora Agnes da Costa não chegou à posição de extinção do contrato por um único incidente. Chegou por um histórico. Isso importa para quem gerencia um condomínio ou um portfólio de edificações.

Quando a concessionária falha repetidamente, quem absorve o impacto imediato são os sistemas internos do edifício. Quadros elétricos, geradores, nobreaks, bombas, elevadores. Se esses ativos não estiverem em dia, uma queda de energia externa vira um problema interno de horas ou dias.

A pergunta que todo síndico deveria fazer agora: se a Enel SP for substituída ou intervinda, o condomínio está preparado para o período de transição e instabilidade que virá junto?

Por que síndicos e facilities não podem terceirizar essa responsabilidade

Existe uma confusão comum na gestão de edificações. Muitos síndicos acreditam que o contrato com a concessionária cobre qualquer problema elétrico. Não cobre. A responsabilidade da distribuidora termina no medidor.

A partir dali, tudo é responsabilidade do condomínio. Quadro geral, alimentadores, circuitos das áreas comuns, sistemas de proteção. Se houver uma sobretensão causada por instabilidade na rede externa e o DPS (dispositivo de proteção contra surtos) estiver fora do prazo de verificação, o prejuízo é do condomínio.

O que entra na manutenção preventiva elétrica interna

Para quem quer sair do improviso, o escopo mínimo de manutenção preventiva elétrica em condomínios inclui:

Inspeção termográfica dos quadros elétricos. Esse exame identifica pontos de aquecimento anormal antes que virem curto-circuito ou incêndio. Em edificações com mais de cinco anos sem laudo, é provável que já existam conexões oxidadas ou sobrecarregadas.

Verificação e substituição de DPS. Após qualquer evento de sobretensão na rede, os dispositivos de proteção precisam ser checados. Eles absorvem o surto e podem se degradar sem apresentar falha visível imediata.

Aferição de aterramento. Um sistema de aterramento fora dos parâmetros da ABNT NBR 5410 coloca em risco equipamentos e pessoas. A verificação periódica é obrigatória, não opcional.

Testes no gerador e no sistema de transferência automática. De nada adianta ter um gerador se ele não aciona quando a rede falha. O teste de carga precisa estar no calendário, não na lista de "quando der".

Análise de qualidade de energia. Harmônicos, desequilíbrio de fases e fator de potência inadequado causam danos silenciosos em motores, compressores e equipamentos eletrônicos. Um analisador de qualidade de energia instalado por algumas horas já entrega um diagnóstico preciso.

Com que frequência fazer cada item

Inspeção visual geral: mensal, pelo zelador treinado ou técnico de manutenção.

Termografia e aferição de aterramento: semestral ou após qualquer evento de sobretensão significativo.

Teste de gerador com carga: mensal, com registro documentado.

Laudo técnico completo com ART: anual, assinado por engenheiro eletricista habilitado.

Esses prazos não são sugestão. Em caso de sinistro, a seguradora e o corpo de bombeiros vão pedir documentação. Sem ela, o condomínio responde.

Instabilidade na rede externa exige resiliência interna

O julgamento da Aneel ainda vai se arrastar por meses. Mesmo que resulte em intervenção ou troca de concessionária, a transição não será imediata nem indolor. Períodos de mudança em contratos de concessão costumam vir acompanhados de instabilidade operacional.

Para condomínios em São Paulo, especialmente nas regiões historicamente afetadas por quedas frequentes, esse período pode significar mais oscilações, mais interrupções e mais pressão sobre os sistemas internos.

É nesse contexto que a preparação interna faz diferença real. Um condomínio com laudo atualizado, quadros revisados e gerador testado atravessa esse período com muito menos dano do que um que adiou as revisões por dois ou três anos seguidos.

A D Serviços atua exatamente nesse ponto de vulnerabilidade. Com cobertura nacional, técnicos parceiros disponíveis 24 horas e supervisão de engenheiros em campo, a rede consegue atender chamados emergenciais e também estruturar planos de manutenção preventiva para condomínios que querem sair do ciclo de quebra e conserto. O portal de chamados permite acompanhar cada ocorrência com histórico documentado, o que facilita muito na hora de apresentar laudos para seguradoras ou assembleias.

Se o seu condomínio ainda não tem um plano de manutenção elétrica estruturado, o momento de montar um é antes do próximo apagão, não depois.

O que fazer agora, na prática

Não existe lista mágica que resolve tudo. Mas existe uma sequência lógica para síndicos que querem colocar a casa em ordem sem gastar de forma desordenada.

Primeiro passo: levantamento de ativos. Mapear todos os equipamentos elétricos das áreas comuns com data de instalação, última manutenção registrada e estado atual. Sem esse inventário, qualquer planejamento é chute.

Segundo passo: priorização por risco. Não dá para fazer tudo de uma vez em todo condomínio. Começar pelos ativos críticos: quadro geral, gerador, sistema de bombeamento de água e elevadores. São os que causam maior impacto se falharem.

Terceiro passo: contratar laudo técnico com ART. Esse documento serve como linha de base. Tudo que o engenheiro apontar como irregular vira lista de serviços prioritários. Com o laudo em mãos, a negociação com fornecedores e com o conselho do condomínio fica muito mais objetiva.

Quarto passo: criar calendário de manutenção com responsável definido. Não adianta planejar sem nomear quem executa, quem supervisiona e quem documenta. Manutenção sem registro não existiu para fins legais.

Para quem quer aprofundar na preparação dos quadros elétricos antes de períodos de maior demanda ou instabilidade, vale ler Manutenção programada não é surpresa: como preparar seu quadro elétrico para o retorno da carga. O conteúdo é direto e aplicável para a realidade de condomínios comerciais e residenciais.

Perguntas frequentes

O condomínio é responsável por danos causados por queda de energia da concessionária?

Depende. Se o dano ocorreu em equipamentos internos e o condomínio não tinha os sistemas de proteção obrigatórios em dia, como DPS e aterramento adequado, a responsabilidade pode ser compartilhada ou inteiramente do condomínio. Ter laudos e manutenções documentadas é a principal linha de defesa em disputas com seguradoras e em ações condominiais.

Com que frequência um condomínio deve fazer manutenção preventiva elétrica?

A frequência varia por tipo de equipamento. Inspeções visuais podem ser mensais. Termografia e aferição de aterramento devem ser semestrais. Laudo completo com ART de engenheiro é anual. O importante é que tudo esteja registrado com data, responsável técnico e número de ART quando aplicável.

Se a Enel SP for substituída, o condomínio precisa fazer alguma adequação?

Não necessariamente na rede interna. A troca de concessionária não muda os padrões técnicos da instalação interna. O que pode mudar são os padrões de entrada, medição e conexão com a rede pública. Nesses casos, a nova distribuidora costuma emitir comunicados com exigências e prazos. Manter a documentação interna atualizada facilita qualquer adequação que venha a ser solicitada.

Por Mariana Lopes